Conheça o maravilhoso mundo do HTML 5
Pra fechar minha série de posts sobre os substitutos do HTML, vou falar agora do HTML 5, desenvolvido por um grupo liderado pela Apple, Opera e Mozilla. Senta que lá vem história texto.
Se você chegou agora, pode ser interessante ler meus textos anteriores sobre o assunto:
A primeira coisa que preciso dizer é em que o HTML 5 é diferente do XHTML 2. Sua maior preocupação não é separar definitivamente o conteúdo da apresentação. O HTML 5 é feito para ser uma linguagem de desenvolvimento de aplicações online. Nada de se preocupar com XML, nada de evitar usar um elemento só porque ele também interfere na aparência do conteúdo.
Pro inferno com as frescuras, eu quero é sites bons.
Esta nova versão do HTML começou a ser desenvolvida em um grupo fora do grande W3C. Fizeram isso justamente porque o W3C estava demorando demais pra criar uma nova versão (0 xhtml 1.0 foi publicado em 2000) e eles estavam trabalhando em algo que não resolvia os problemas dos sites ricos que temos hoje em dia.
O HTML 5 é feito para facilitar o desenvolvimento de aplicações web (e não apenas sites simples) e padronizar as coisas em todos os browsers.
Vamos ver todas as coisas legais que o HTML 5 traz pra nós.
Elementos estruturais
Aquele monte de <div> que a gente usa pra montar a estrutura do site vai ter um bom substituto agora. Pra facilitar uma padronização e permitir que os elementos tenham significado, criaram vários elementos estruturais que vão funcionar como o <div>, mas cada um com seu próposito.
Por exemplo, teremos o <header> para criar o cabeçalho do site (geralmente onde fica o logotipo, etc). Temos o <nav> para definir o menu de navegação, <article> para colocar o conteúdo principal do site, <aside> pra criar uma seção lateral, e <footer> pro rodapé.
Novas tags multimídia!
Em vez de fazer como no XHTML 2, onde tem uma única tag bizarra para exibir conteúdo multimídia, o HTML 5 preza por uma solução mais óbvia e mais fácil.
Para tocar som, você tem a tag <audio>. E o negócio ainda é tão bem feito que dentro da própria tag você passa uns parâmetros para definir se começa a tocar sozinho, e até se o browser vai exibir controles (play, pause, etc). Se o browser não suportar html 5, aparece o texto interno.
<audio src="musica.ogg" autoplay control>
Você não tem HTML 5, bobão, então faça <a href="musica.ogg">download</a> da música.
</audio>
E vídeo, então, que maravilha! Se antes você tinha que usar a tag <object> cheia de parâmetros, agora basta usar a tag <video>. Você pode definir largura e altura, e também definir se quer autoplay (iniciar automaticamente) ou se quer exibir os controles. Você pode até mesmo definir pro vídeo ficar passando em loop, se quiser fazer lavagem cerebral em alguém.
<video src="lavagemcerebral.ogg" autoplay loop>
Quem não tem HTML 5, saia pela segunda porta à direita.
</video>
E quem cuida de exibir o vídeo? O browser! Por padrão, o codec de vídeo vem dentro do próprio browser e todos os usuários poderão assistir, independente de que browser ou sistema operacional eles usam. E sem ter que baixar plugin!
Você pode brincar de desenhar
O novo elemento <canvas> permite que você escreva código que desenha na tela em tempo real. Isso é muito interessante pra criar gráficos, por exemplo. Imagina o Google Analytics sem precisar de flash.
E não só desenhar, mas redesenhar, modificar desenhos, mover os desenhos. Alguém poderia escrever um jogo com elementos se mexendo, usando o canvas. Sem precisar de flash.
E tem a correção de erros!
Além de tudo isso, uma parte muito importante da especificação do HTML 5 é que ele diz aos navegadores como eles vão tratar um código que esteja errado.
A grande maioria dos sites na internet tem um código muito mal feito. Você só é capaz de ver “corretamente” o conteúdo desses sites porque todos os browsers possuem um poderoso motor de correção de código. Esse motor vê aquele código capenga, que não valida nem com HTML 4.01, e tenta “deduzir” o que o desenvolvedor quis fazer. O maior problema é que cada browser deduz as coisas de um jeito diferente.
O HTML 5, além de trazer todas essas maravilhas, traz uma série bem específica de regras para os navegadores deduzirem aquele código bizarro e malformado. Assim há uma garantia de que até esse código ruim vai ser exibido da mesma forma em todos os navegadores.
Mas esperem sentados…
Se você também ficou animado com as possibilidades (e olha que nem falei todas), aí vem o banho de água fria: vai demorar! A versão final do HTML 5 não fica pronta esse ano. E nem no ano que vem.
E mesmo depois de sair a versão final, temos um enorme problema chamado Internet Explorer. Não poderemos usar os novos recursos em sites sérios, até que o Internet Explorer dê um suporte decente à linguagem.
Sendo otimista, eu diria que lá pra 2025 vamos poder usar a linguagem.
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